— A independência é proclamada —
Após o luxuoso almoço de comemoração pela formação do time que representaria a Europa, os Descomunais partiram para sua célebre festinha particular no aposento escondido no armário de vassouras. Todos estavam lá, sem exceção de ninguém, compartilhando a alegria de Navanna e Sarah por fazerem parte desta grandiosa equipe.
— Eu mal posso acreditar que em três semanas nós estaremos assistindo ao primeiro jogo, o que vem a ser na Antártida! – Brandon exclamou, sentado em seu sofá predileto com Sarah ao seu lado.
— Será que é muito frio por lá? – questionou Vinicius, ligeiramente desconfortável.
— Não, Vinicius – disse Bruce, acomodado em um pufe e com Navanna sentada em suas pernas. — É um local formado de gelo, mas você pode estar certo de que é tão quente quanto o Brasil...
— Ah, você entendeu o que eu quis dizer – Vinicius resmungou. — Se eu já sofro no inverno da Europa, que será de mim em meio ao gelo?
— Devem existir aquecedores e casacos por lá – Sarah sorriu.
— Não brinca! – Vinicius exclamou desdenhosamente ao largar-se na poltrona. — Já vi que vou virar atração naquele lugar, sendo o primeiro garoto-sorvete da história...
E assim eles continuaram conversando sobre a Antártida e contando as histórias que conheciam sobre aquele lugar. Não conheciam muitas, pois pouca informação daquela área chegava no restante do mundo.
— Oh, David, é uma pena que você não possa ir conosco – Navanna suspirou melancolicamente.
Um largo sorriso proveio dos lábios de David.
— Estava esperando tocarem no assunto – ele se ajeitou na cadeira da mesinha. — Querem saber, eu viajarei com vocês...
O falatório recomeçou.
— Como se os seus pais não permitiram? – perguntou Tom. — Você não pode viajar sem uma autorização!
— Calma lá, caro Thomas – disse David. — Eles disseram que não iriam permitir que eu viajasse uma vez que não tivesse como sustentar a mim mesmo.
— Exato – Bruce concordou.
— E...? – Sarah averiguou.
— E eu consegui o dinheiro necessário para ao menos duas viagens – contou.
Todos ficaram subitamente estupefatos.
— Com suas vendas? – perguntou um pasmo Vinicius.
— Sim – David sorriu satisfeito.
— Não foi o que eu disse, pessoal? – Brandon falou. — Eu falei que ele deveria estar trabalhando duro, eu falei...
— Está bem, David – disse Navanna. — Mas você não pode descartar a possibilidade de que seus pais poderão certamente impedi-lo, mesmo possuindo o dinheiro.
Todos concordaram.
— É por isso que eu preciso de vocês para me ajudar a escrever uma carta a eles. Eu preciso convencê-los.
E os Descomunais juntaram as duas mesinhas redondas e sentaram-se em torno delas, definitivamente dispostos a auxiliarem David naquela missão. Sete cabeças unidas funcionam melhor do que uma perdida.
N.T. » Ah, pessoal, agradeço pelos comentários... Tenho ficado muito feliz com eles! Obrigada, LiiiHh Potter, Ana Carol Murta, Elisa J. Lupin, Mini, Flavinha Weasley e sei lá, toooooodos que vêm comentado com freqüência e acompanhado a fic! Fico muito grata, pessoal, sério. E peço aos que ainda não comentaram, que comentem! Sempre fico tão feliz quando vejo que tem coisa nova pra eu ler!...
E, cara, eu só to impressionada com uma coisa: como vocês pooooodem dizer que a Sarah vai ficar c/ o Brandon? HSAOIHESHAHOEIUHIUIUHA acho que vocês estão enxergando demais... Olhem lá... Embora isso possa parecer provável e quem leu a antiga versão da primeira fic tenha visto que eles começaram a namorar, eu sugiro que tentem esquecer isso, já que eu ainda não escrevi nenhuma ceninha deles dois e, sabe lá se eu resolvi mudar as coisas? Hmmmmm... Vocês deverão esperar bastante para ver como tudo vai ficar. Nem eu sei ainda como vai ser a vida amorosa da Sah... Ohoho... Tava pensando em deixá-la com o Hagrid. O que acham?
HUSHAUIHOUEHIUA mentira, ta? Pelamor... ohoho.
E, eu sei que to amolando demais vocês com essa nota enoooorme, mas só quero avisar que em breve vou publicar aqui uma entrevista que a Stella Prongs fez comigo xD Só to esperando ela terminar de editar, ou sei lá. Acho que ela quer fazer mais perguntas pra eu postar uma entrevista grandona, acho. E quem quiser entrar nessa onda da doidona da Stella é só deixar uma pergunta no comentário que eu vou juntando tudo e elaborando uma entrevista por vocês, dando os devidos créditos aos questionadores, é claro. Oho, façam isso! Vai ser divertiiiido! Podem perguntar coisas da fic também, que eu ainda não publiquei... Quem sabe eu falo algum spoiler? Haha, mentira. Mas aquela história da Sarah e do Hagrid é verdade, ta? MENTIIIIIRA DE NOVO!
Agora chega! Bjoo da Thai e inté o/
— Orgulho púrpura e um grande H —
Diante da Liga Intercolegial de Quadribol e os N.O.M's, não mais era oferecido descanso aos alunos mais empenhados. Navanna Biancco e Sarah Fazinski passaram a semana dividas entre as aulas, a biblioteca e os estudos na Sala Descomunal, onde começaram a conscientizar os amigos de que deveriam estudar com afinco caso quisessem bons resultados e permissão para viajar. Com a notável exceção de David Franklin, quem só aparecia na Sala para desejar aos amigos uma boa noite, os Descomunais reuniram naquela semana suas fraquezas nos estudos e tentaram destruí-las.
Sexta-feira à noite, pouco antes do último toque de recolher, Brandon revelou sua teoria sobre o sumiço de David: talvez ele estivesse trabalhando intensamente em suas vendas de muambas trouxas. E, para os amigos, a teoria do rapaz soou verdadeira.
O sábado amanheceu frio e prometendo chuva. Chovera fracamente durante toda a semana e, uma vez que Dimmu Worris havia se tornado o treinador, passou a assistir a todos os treinos das outras Casas enquanto não abdicara de treinar com os sonserinos, com a permissão e escolta de Madame Hooch. Worris fora imparcial a todo instante e, por conta disto, não mais auxiliava seus antigos companheiros de equipe em suas dificuldades e deixava para que eles próprios tratassem disso entre si. Seria naquele sábado gélido que o time seria formalmente constituído e a balbúrdia já era grande na Sala Comunal da Sonserina quando as duas batedoras passaram por lá. A confusão era tanta que o professor Snape precisou averiguar:
— Que se passa nesta sala? – ele questionou ao entrar. Todos se calaram. — Parecem macacos engaiolados – e crispou os lábios. — Onde estão os membros do nosso time?
— Aqui – Navanna falou detrás dele. Ele não a havia notado.
— Muito bem, e os outros? – e o professor avistou cada um. — Penso que não deveriam estar aqui, portanto sigam já ao estádio – daria uma meia-volta, contudo cessou: — Boa sorte – e partiu, pisando firme.
Sarah e Navanna se uniram aos companheiros de time e rumaram aos vestiários, onde puseram o uniforme verde e entraram em campo. Nas arquibancadas toda a escola já se encontrava e os aplausos irrompiam a cada equipe que entrava. Os times foram reunidos ao longo do campo, jogadores lado a lado e Madame Hooch diante deles. Dimmu Worris abandonara a equipe para ficar ao lado da professora e juíza no instante em que ela revelaria os nomes. O que causou estranheza nos demais foram as vestes do treinador: calça, camisa e capa negras, com um emblema delineado em púrpura e prata formando a letra H no lado esquerdo do peito.
Como outrora, Madame Hooch lançou um feitiço para aumentar a propagação de sua voz e iniciou seu discurso:
— Irei neste instante divulgar os nomes dos participantes do time oficial de Hogwarts – disse. — Antes devo comunicar-lhes que esta seleção se dá mediante ao talento observado de cada jogador e, caso pensem em injustiças, pretendam melhoras para si próprios no próximo evento – os jogadores se entreolharam temerosos e estupefatos.
O silêncio quase incomodava os presentes, porém não tardou para que Madame Hooch prosseguisse.
— Como apanhador teremos um aluno que se mostrou o mais empenhado em sua área e, por conseguinte, o mais ágil. Seu nome é Vancer Stukins e é de Sonserina.
Uma onda de aplausos irrompeu das arquibancadas, em especial da verde-e-prata. O mancebo iniciou uma encenação simulando a posse de algum troféu. Ele olhou para o público e gritou inúmeras vezes o seu próprio nome, porém não houve um aluno que o tivesse acompanhado. Dimmu Worris o entregou um embrulho arroxeado e Madame Hooch logo voltou a falar:
— O primeiro artilheiro escolhido se destacou para o treinador e eu – disse. — Artilheiro este é uma garota e seu nome é Stephanie Clarenvick, de Grifinória.
A garota abriu um sorriso vitorioso e deu um passo à frente, acenando às arquibancadas e parecendo saber que ganharia o título. Ela também recebeu o embrulho arroxeado do capitão e se postou ao lado de Stuckins.
— O segundo artilheiro mostrou-se excelente e seu nome é Johannes Druidnym, de Corvinal – comunicou a professora.
Os aplausos novamente ecoaram do público e um rapaz de pele morena e olhos grandes se uniu aos novos companheiros de equipe, recebendo do treinador o mesmo que os demais. Naquele instante Navanna e Sarah lançaram ao companheiro de equipe Michael Peet um olhar apreensivo, que o rapaz não notou, tamanho era seu nervosismo. A professora prosseguiu:
— Para terceiro artilheiro teremos um rapaz igualmente destacado. Ele é Hugo Chang, de Lufa-lufa.
Os vivas emanaram das arquibancadas e o menino oriental, parente próximo de uma celebridade do mundo mágico, juntou-se aos demais, sorrindo alegremente para tudo e todos. Stuckins apertou vivamente a mão deste rapaz.
— Para goleiro – continuou Madame Hooch – Possuiremos o notável Michael Jackson, de Grifinória.
Com tais palavras, o jovem magricela e pálido fez uma dança engraçada e caminhou ao lado esquerdo de Clarenvick.
— Para um dos batedores do time – disse a professora, fazendo todo o estádio cair em profundo silêncio. — receberemos a talentosa Sarah Fazinski, de Sonserina.
Estranhamente a balbúrdia formada diante da pronunciação deste nome pareceu maior que todas as anteriores. Provavelmente proveio dos Descomunais, aqueles cujas ações sempre excediam. Sarah bradou dando um soco no ar enquanto suas pernas tremiam terrivelmente. Agora todas as suas dúvidas se extinguiram: ela fazia parte do time que representaria a Europa! Contudo Sarah não teve ainda muito tempo para pensar nisso ao receber o embrulho do treinador, pois Madame Hooch se pronunciara outra vez:
— E, finalmente, divulgo o último nome referente à equipe de Hogwarts – ela fez uma pausa e logo continuou. — Para concluir a dupla de batedores, possuiremos Navanna Biancco, também de Sonserina.
Navanna sorriu apalermada. Deveria haver algum equívoco! Quando ela, a nascida trouxa que possui medo de altura, poderia ser nomeada batedora do time oficial da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts? Isto era impossível! Caminhando feito uma sonâmbula, ela se uniu ao time que acabara de ser formado debaixo de aplausos tão vivos que pareciam capazes de ensurdecê-la. Ela apenas despertou deste transe quando Sarah a abordou com um abraço um abraço apertado e uma seqüência de gritos de comoção:
— Somos do time! Somos as batedoras do time de Hogwarts!
Madame Hooch pedia silêncio aos alunos, porém não era nem de longe atendida. Toda a escola jazia em polvorosa, cada Casa orgulhosa por seu aluno nomeado e radiante por todos, juntos, representarem a Europa. A professora continuou tentando acalmá-los, mas podia-se notar que sua paciência chegava ao limite. Foi quando o professor Dumbledore desceu as arquibancadas silenciosamente e adentrou o campo, indo até o centro e enfeitiçando sua própria garganta para conseguir falar muito alto com sua voz já falha pela idade:
— Acalmem-se, meus caros alunos, acalmem-se. Ou não ouvirão o que tenho a dizê-los – disse, sua voz ecoando.
Os alunos se calaram gradativamente e em poucos segundos o silêncio tornou a tomar conta do estádio. Madame Hooch bufou e cruzou os braços.
— Antes de revelá-los meus conselhos, gostaria de dar meus sinceros cumprimentos – e ele voltou-se à nova equipe – a vocês.
O diretor estendeu sua mão esquerda – tendo em vista que a direita jazeria eternamente amortecida por algo que lhe acontecera nos tempos de Harry Potter em Hogwarts; Navanna e Sarah agora já podiam compreender, uma vez que haviam lido o sexto livro de Nejolan Wigorn, ou Joanne Rowling – e cumprimentou cada um dos sete jogadores e ainda o treinador. E então voltou a pronunciar-se:
— Agora peço aos componentes desta maravilhosa equipe que rumem aos vestiários e troquem suas vestes distintas por algo unânime – demandou o diretor e assim fizeram os jogadores.
Não demorou nada para que eles voltassem ao campo, contudo, desta vez, os aplausos foram ainda mais intensos. Tão mais intensos como nenhum deles havia visto exultação tamanha em toda vida. Os sete membros trajavam vestes idênticas, púrpuras, com o emblema de Hogwarts no peito. As quatro cores: verde, vermelho, amarelo e azul ali, no coração dos jogadores. E na área frontal do uniforme, tomando quase todo o espaço do peito e do abdômen, jazia a imponente letra H prateada, que parecia viva e móvel. E, nas costas de cada jogador, podia-se ler seus sobrenomes prateados e reluzentes.
— Está oficialmente formado o incrível time da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts! – bradou o diretor, sua voz sobressaindo à balbúrdia.
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— Três aulas particularmente curiosas —
Uma nova semana fora iniciada, trazendo consigo um ar mais cálido para os terrenos de Hogwarts. Navanna e Sarah deixaram os aposentos sonserinos e rumaram à aula de Transfiguração, onde o professor Roslini ensinou uma transfiguração muito cobrada nos N.O.M's, a Colormutae. Com ela, os indivíduos eram capazes de alterar as cores, porém apenas os desdobramentos destas cores: o verde permaneceria verde, porém poderia ficar mais claro, mais escuro ou mais fosco. Em suma, somente as cores primárias poderiam ser inteiramente alteradas uma vez que se pronunciasse o feitiço e adicionasse o nome em latim da coloração que auxiliaria na fusão.
Primeiramente o professor Roslini os entregou pedacinhos de pergaminhos coloridos em cores secundárias, pois segundo ele, modificar as primárias era mais complexo. Este foi um exercício fácil para todos e, em vista disso, o professor os entregou folhas vermelhas, azuis e amarelas. Desta vez, alguns alunos apresentaram dificuldades. O professor decidiu ensinar um a um aquela transfiguração.
— Ah, isso é muito fácil! – Vinicius comentou com Navanna e Sarah.
— Eu gostei dessa transfiguração, embora não saiba qual utilidade possa ter – Sarah falou.
— O que vocês acham que pode acontecer com a cor preta? – Navanna indagou aos amigos.
— Não sei, mas poderemos descobrir – Vinicius exibiu um sorriso audacioso e apontou sua varinha à manga do seu sobretudo negro. — Colormutae! – dito isso, um jorro transparente como água se chocou contra o braço do rapaz. Imediatamente a manga de suas vestes ficou branca e tal mudança não cessou, partindo para todo o restante de seus trajes.
Em poucos segundos, Vinicius jazia vestindo roupas branquíssimas, parecendo um cômico aprendiz de mago.
— Professor, temos um acidente aqui! – Navanna chamou, gargalhando.
Ao fim da aula, Vinicius exibia exuberantes trajes rosa-choque, uma vez que o professor Roslini, como castigo, deixara que o próprio rapaz tentasse resolver o problema no qual se metera. Por mais que Vinicius tentasse fugir imediatamente para os aposentos lufa-lufas, os rapazes Descomunais cruzaram com ele no Saguão de Entrada e rapidamente o apelidaram de "Sorvete de tutti-frutti".
Durante o almoço Bruce pareceu ansioso e seus amigos puderam conhecer o motivo quando ele comentou:
— Acho que teremos uma excelente aula de Trato das Criaturas Mágicas hoje – ele comia sua porção de purê de batatas com incrível nervosismo. — Ouvi o pessoal da Corvinal dizer que Hagrid trouxe um animal mitológico.
— Qual animal? – Sarah indagou.
— Pela descrição que ouvi, é uma versão mágica de um animal que provém da Mitologia Grega. Eu não sabia que possuíamos essa criatura no mundo mágico.
Logo a curiosidade de Bruce foi acalmada: chegaram próximos a orla da Floresta Proibida, onde Hagrid se encontrava. Uma caixa de madeira podia ser vista ao lado do professor e ele pediu para que os alunos se aproximassem.
— Todos podem ver a caixa daí? – Hagrid perguntou e seus alunos confirmaram. — Que bom. Prestem muita atenção e não gritem. Tenho uma criatura fascinante hoje e eu não sei ainda qual pode ser a reação dela quando ouvir gritos e tudo o mais – ele coçou sua grande barba desgrenhada.
— O senhor trouxe um animal para a aula e não conhece suas reações? – perguntou Caesar Augustus Ashbar, ligeiramente amedrontado.
— Bem, não é que eu não conheça – Hagrid coçou a barba novamente. — Mas eu não tive tempo de ficar analisando essa criatura. Muito trabalho, er...
Navanna olhou de esguelha para Bruce e o viu imóvel, sem piscar. Olhava fixamente para a caixa de madeira como se pudesse vir a ser capaz de abri-la somente com a força do pensamento.
— Vou abrir a caixa – avisou o professor. — Não gritem, ta bem? O animal até que é bonito.
E o meio-gigante levou sua enorme mão à trava e a abriu. Um lado da caixa caiu no chão com um baque surdo, porém os alunos não viram animal algum, uma vez que o breu completo tomava conta da caixa. Bruce deu um passo à frente e se abaixou, tentando ver. Navanna segurou discretamente a parte de trás do colarinho do namorado, temendo que ele engatinhasse para dentro da caixa.
Hagrid franziu as grosseiras sobrancelhas, resmungou "Que bicho preguiçoso" e sacudiu brevemente a caixa. Lentamente os alunos puderam ver que algo se movia lá dentro. Bruce teria se aproximado caso Navanna não o tivesse detido. Deixando a escuridão, uma criatura estranhíssima saiu devagar. Devia medir quarenta centímetros. Seu formato era redondo e possuía dois pezinhos tão pequenos que eram quase invisíveis. O mais curioso era a inacreditável quantidade de olhos que ele tinha em toda a extensão do corpo. Não havia nada mais além de olhos. Sua pele era marrom e pegajosa; poderia ser tido como asqueroso, porém seus inúmeros olhares idênticos eram tranqüilos e superavam sua aparência.
O professor precisou parar a criatura com o pé, pois ela caminhava na direção dos alunos. Parecia um animal bastante fácil de ser manipulado ou adestrado.
— Alguém sabe o nome dessa criatura? – indagou Hagrid.
Bruce tomou a palavra e estava novamente de pé:
— Eu não sei o nome dele, porém conheço esse animal. Sei que possui cem olhos e funciona como excelente vigia.
— Exatamente, rapaz – Hagrid abriu um sorriso enorme. — Cinco pontos para a Grifinória. Bem, esse bicho leva o nome de Insone e o motivo eu acho que vocês conseguem entender graças às informações do nosso amigo Voldeville aqui – ele indicou o rapaz. — Ele nunca dorme completamente, o Insone – o professor abaixou-se ao lado da criatura e pôs-se a olhá-la. Alguns dos cem olhos estavam voltados para Hagrid, porém o restante olhava para locais diferentes. — Alguém pode me dizer porque eu disse completamente? Você sabe, Voldeville?
— Sim – Bruce disse, sem parar de olhar para o Insone. — Já que ele funciona como vigia, dorme primeiramente com cinqüenta olhos, depois alterna para os outros cinqüentas que estiveram acordados.
— É isso mesmo – Hagrid pareceu muitíssimo satisfeito e se levantou. — Mais cinco pontos para a Grifinória! Eu ainda não conheço muito sobre o Insone e por este motivo o trouxe para aula – muitos dos alunos encolheram os ombros, temerosos. — Não acho que esta criatura possa ser perigosa, de alguma forma. Pelo que andei observando, concluí que ele só deve atacar quando se sente ameaçado, como agem muitos animais pacíficos. Por isso eu falo que não devem gritar perto dele ou tentar feri-lo, pois eu ainda não conheço suas defesas.
— E o que nós vamos fazer com ele? – Brandon perguntou.
— Estudá-lo, é claro – o professor respondeu. — Hoje não iremos nos divertir tanto, pois eu só consegui encontrar um único Insone na Floresta Proibida. Mesmo assim foi o Canino quem o achou e eu penso que esse Insone estava perdido, já que foi achado em campo aberto e eu duvido que o habitat dele seja em lugares assim.
— É, com certeza não... – Bruce murmurou, pensativo.
— Hoje eu só vou querer que vocês fiquem olhando para a criatura, mesmo – disse Hagrid. — Tentem entender como ele pensa, talvez. Acho que pelo olhar, pelos olhares, er, dá pra saber a natureza dele. Por isso eu falo que não acho que ele seja perigoso, vejam o jeito como ele olha...
A aula prosseguiu desta maneira: alunos olhando para o Insone e o Insone olhando para os alunos. Não foi uma aula dotada de ação e na metade dela muitos dos alunos abandonaram a criatura para conversarem sobre tudo, exceto sobre o que deveriam realmente. Um dos poucos que permaneceram fazendo o que o professor havia pedido foram Bruce, Brandon, Navanna, Sarah, Caesar Ashbar, que também se interessara pelo Insone, e dois rapazes da Sonserina. Até mesmo Thomas Sellta abdicara da criatura para debater sobre política com um grifinório e maldizer Dagger, o rebelde.
Quando a aula terminou e todos se foram, Bruce ficou um pouco mais para conversar com Hagrid. Navanna optou por esperar pelo namorado para que seguissem juntos para a aula de Defesa contra as Artes das Trevas e teve de apressá-lo enquanto discutia idéias com o professor, pois já estavam quase atrasados. Durante a aula da professora Tonks, na qual ela pediu para que os alunos lessem um capítulo sobre terríveis maldições e azarações, Bruce não parou de falar um só minuto com a namorada.
Ele contou toda a história da mitologia grega que trazia uma criatura idêntica ao Insone e explicou muitas das concepções que ele possuía para/com aquele animal. Sarah e Brandon acabaram entrando na conversa também, aos sussurros, e nenhum deles havia lido o capítulo que a professora Tonks havia indicado. Logo ela notou a desatenção da parte deles:
— Posso saber o que tanto vocês debatem? – indagou ela ao se aproximar deles.
— Ah, desculpe, professora... – os quatro falaram.
— Podem me dizer, então, qual é o contra-feitiço utilizado na defesa da azaração para a cegueira momentânea?
— Ainda não lemos, professora... – resmungaram.
— Muito bem – ela cruzou os braços e franziu o cenho. — Comece a ler o início deste capítulo para mim, Senhorita Fazinski – envergonhada, Sarah pôs-se a fazer o que lhe fora pedido enquanto a professora pegara emprestado o livro de Navanna para acompanhar a leitura da aluna.
No decorrer da leitura de Sarah, Tonks franzia cada vez mais o cenho, principalmente quando o texto pedia para examinarem algumas ilustrações de bruxos seriamente feridos e, por conseqüência, ensangüentados. Houve um momento em que o semblante da professora começara a ficar num tom levemente vermelho e ela começou a respirar com visível dificuldade. Os alunos notaram isto e voltaram às atenções especialmente para Tonks. Num determinado instante a professora pediu quase desesperadamente para que Sarah cessasse a leitura e disse que precisava sair. Assim ela deixou a sala, com uma das mãos cobrindo a boca e andando tão apressada que, se impusesse mais velocidade aos seus passos, estaria correndo. Ninguém entendeu nada, todavia Navanna ficou muitíssimo pensativa.
Nota da Thai » Hey, pessoal, ando muuuito feliz com os comentários! Obrigada meeeeeesmo! xD
Bem, antes de mais nada, gostaria de dar os devidos créditos participativos ao Eduardo, meu namorado, entendedor de Mitologia e quem me ajudou com o Insone. Creio que esta não será a última participação dele por aqui, visto que ultimamente tem debatido alguns assuntos referentes à saga comigo e me auxiliando quando mais preciso de uma luz. Obrigada!
Continuem comentando, queriiiiidos! Estou exultante por estarem gostando! Não esqueçam de participar da comunidade da fic! E aos leitores que forem do Rio e estiverem querendo companhia para assistir a estréia da OdF, me adicionem no msn:
thai_slytherin@hotmail.com
Assim poderemos reunir uma galera e assistir ao quinto filme!
Bjoo e inté o/